Neste site, você encontrará informações sobre o Grupo de Pesquisa em Economia Política dos Sistemas-Mundo, sediado no Departamento de Economia da Universidade Federal de Santa Catarina.
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Economia Política dos Sistemas-Mundo (EPSM)

Em primeiro lugar é preciso dizer que a ECONOMIA POLÍTICA DOS SISTEMAS-MUNDO (EPSM), surgiu em 1981 como uma seção da Associação Americana de Sociologia, por iniciativa dos pesquisadores interessados em institucionalizar o campo de pesquisa aberto por Immanuel Wallerstein em 1974, com o lançamento do 1º. volume de “O Moderno Sistema Mundial”.

Grosso modo, pode-se dizer que a EPSM estuda o surgimento, desenvolvimento e desintegração de sistemas sociais históricos, pesquisados através do método comparativo, objetivando chegar a “generalizações sobre interdependências entre os componentes [do] sistema e a princípios de variação entre condições sistêmicas em diferentes espaços e tempos. Sistemas sociais históricos são conjuntos de estruturas (ou entidades), simultaneamente sistêmicos e históricos, cujas coexistência e sucessão representam o próprio conteúdo do mundo social (WALLERSTEIN, 1991a). Esses sistemas são vistos na abordagem em foco como a “unidade de análise” mais adequada para o estudo da vida social e ocupam, dessa forma, o lugar analítico tradicionalmente preenchido pela “sociedade” e pelo “Estado” no papel de entidades em que a vida social se desenrola (WALLERSTEIN, 1991b).

Tais conjuntos de estruturas abarcam, além de processos econômicos, processos igualmente políticos e culturais, e apresentam-se relativamente autônomos, no sentido de que sua continuidade é garantida pelos acontecimentos que têm lugar no seu próprio interior. Este atributo implica ser a dinâmica dos sistemas históricos largamente interna, significa a possibilidade de uma existência em boa medida auto-centrada. Wallerstein (2000, p. 74) diz que “a característica definidora de um sistema social é a existência dentro dele de uma divisão do trabalho, de tal maneira que os vários setores ou áreas dependem das trocas para o atendimento regular e contínuo das necessidades da área”. O adjetivo “sistêmico” remete, assim, à rede de processos econômicos, políticos e culturais que figuram na base de coesão dos sistemas históricos. O qualitativo “histórico”, por seu turno, traduz o entendimento de que esses sistemas são delimitados temporalmente, isto é, tem início e fim. De todo, modo, seus ciclos de vida via de regra ostentam uma “longa duração”, no sentido em que Braudel (1992) utiliza essa expressão, que se refere ao tempo histórico, por excelência das estruturas sociais.

Os sistemas sociais podem ser mini-sistemas, por sua modesta abrangência geográfica e duração, ou sistemas-mundo, por sua maior magnitude espacial e temporal, cuja única divisão do trabalho contém múltiplos sistemas culturais. Os sistemas-mundo, de acordo com sua configuração política, são classificados em impérios-mundo (quando em todo o espaço coberto pela divisão do trabalho existe uma única estrutura política) e economias-mundo (com uma superestrutura política fragmentada em diversas unidades). As economias-mundo foram definidas por Braudel (1998) como “um pedaço do planeta economicamente autônomo, capaz, no essencial, de bastar-se a si próprio, e ao qual suas ligações e trocas internas conferem certa unidade orgânica”.

Atualmente, vivemos em um sistema-mundo – a economia-mundo capitalista. “Capitalismo e economia-mundo (isto é, uma divisão do trabalho com múltiplas culturas e unidades políticas) são os dois lados de uma mesma moeda. Um não é causa do outro. Estamos meramente definindo diferentes aspectos do mesmo e indivisível fenômeno.” (BRAUDEL, 1998, p. 76).

Nestes termos, quando aplicada à economia-mundo capitalista, a EPSM volta-se prioritariamente para o estudo das grandes estruturas (que abarcam grandes espaços) e os longos processos (que atravessam e condicionam a vida de muitas gerações) em busca de “generalizações sobre interdependências entre os componentes [deste] sistema e de princípios de variação entre condições sistêmicas em diferentes espaços e tempos” (ARRIGHI, 2003). Para dar conta desta tarefa a ESPM lança mão do método comparativo. A respeito, vale transcrever o parágrafo final do livro em que Charles Tilly (Big Structures, Large Processes, Huge Comparisons”, Russel Sage Foundation, NY, 1984, pg. 147) conclama os cientistas sociais a abandonar os postulados das ciências sociais do século XIX e propõe como caminho epistemológico a comparação:

“Se nos movemos do plano macro histórico em que este livro operou para o plano das análises do sistema e da história mundiais, aumenta a importância da comparação globalizante (encompassing comparison), ao mesmo tempo que declina a viabilidade da comparação universalizante e da comparação que busca princípios de variação. Para nosso próprio tempo, é difícil imaginar a construção de qualquer análise válida da mudança estrutural de longo prazo que não relacione, direta ou indiretamente, as alterações particulares aos dois principais processos independentes desta era: a criação de um sistema de estados nacionais e a formação de um sistema capitalista mundial. Nos defrontamos com o desafio de integrar na história os grandes estruturas, os longos processos e a enormes comparações.” (grifos nossos).

Para uma introdução à EPSM, ler:

ARIENTI, Wagner Leal; FILOMENO, Felipe Amin. Economia Política do moderno sistema mundial: as contribuições de Wallerstein, Braudel e Arrighi. Ensaios FEE, v. 8, n. 1, 2007.

SHANNON, Thomas R. An Introduction to the World-Systems Perspective (2nd edition). Westview Press, 1996.

WALLERSTEIN, Immanuel. World-Systems Analysis: an introduction. Duke University Press. 2004.


Fernand Braudel


Immanuel Wallerstein


Giovanni Arrighi

 
 
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